Cases
“Imagens Sutis”: música inspirada na infância marca nova fase da carreira de Joca Freire
/ / / / / / / /
Foto: Malu Freire
Quando convidei o cantor, compositor, violonista, meu amigo e (por minha conta) um “misturador de emoções em palavras musicadas” - Joca Freire - para que escolhesse uma de suas criações e contasse a história dela, não tinha ideia do universo que cabe em uma composição.
Intitulada “Imagens sutis”, a canção traz na letra histórias e sensações vividas na infância, no quintal de um casarão do tradicional Bairro de Santana, região norte de São José dos Campos. Já a melodia… Ah!!! esta parece ter a cadência de uma corrida livre e divertida de criança... daquelas que quando as pernas disparam, o que vale é ganhar o chão, sem rumo, sem obstáculos, sem fronteiras, sem medo de ser feliz.
“Imagens Sutis” também é o nome de um projeto maior realizado em 2024, ano em que ele completou 60 anos de idade e quase 40 de carreira. Em comemoração à data, foi lançado um álbum gravado ao vivo e um documentário sobre sua trajetória. Se o título é “sutil”, fortes mesmo são as lembranças eternizadas na composição:
“O cheiro das árvores do quintalTrouxe lembranças pra mim.
De um tempo em que só havia ilusões,
Brincadeiras e sonhos sem fim.
Camélias num canto do jardim.
Roupas brancas no varal.
Um suave perfume de jasmim
E frutas maduras no pomar...”
Escute a música no spotify 🎧
Em outro verso, Joca se refere ao local como: “...Rumando sempre para um lugar... onde de novo um menino eu sou”. E é com o mesmo brilho no olhar que ele conta as experiências que viveu naquele cenário, repleto de flores, árvores frutíferas, e com dimensões que, no imaginário de uma criança, iam além do quarteirão.
Como a casa ficava na rua principal do bairro, o local também era passagem obrigatória da Procissão de Corpus Christi e aí juntam-se às lembranças, os badalos do sino da igreja e o encontro dos vizinhos.
“... Cheiro de infância,
Tempo feliz.
Pipas no ar, jogos de botões
E as peladas nas tardes de sol.
Doces lembranças, imagens sutis.
A procissão, o parque e a banda tocando lá na matriz...”
E quem trocaria com um amigo - por livre e espontânea vontade - uma bicicleta Caloi 10 amarela, considerada top da época, por outra mais antiga! Pois é, foi o que ele fez! Mas vamos deixar de lado os critérios inocentes adotados por uma criança… afinal, são as tais escolhas com o coração… Mesmo ficando apenas na memória, a bike amarela também ganhou um lugar especial na letra da música.
“E nos meus sonhos a pedalar
A bicicleta amarela eu vou.
Rumando sempre para um lugar
Onde de novo um menino eu sou.
Cheiro de infância,
Tempo feliz.
Pipas no ar, jogos de botões
E as peladas nas tardes de sol.
Doces lembranças, imagens sutis.
A procissão, o parque e a banda tocando lá na matriz”.
A inspiração
Foi durante a gravação de um dos álbum mais antigos, que aconteceu a volta ao passado para compor “Imagens Sutis”. “Estávamos em Jacareí, no estúdio do amigo e músico Aloísio Garkauskas quando me deparei com aquele quintal, aquele pomar, e senti de novo o cheiro da flor de laranjeira e de tantas outras frutas que fizeram parte da minha infância... do casarão de Santana de onde vêm tantas histórias, tantas recordações...”, relembra Joca Freire.
O álbum, lançado em setembro de 2024, foi gravado no cenário original, ou seja, no quintal do mesmo casarão. A produção foi do músico percussionista Kabé Pinheiro, que também teve participação especial levando para uma das canções de Joca Freire, o pandeiro e o sapateado!
Além de Kabé, o álbum contou com o flautista Everton Campos, e o violonista e guitarrista Lucas Andrade. Isso sem falar da eterna parceira e inspiração para tantas outras composições, Malu Freire, filha de Joca, cantora, fotógrafa e hoje produtora das capas e do material audiovisual que divulga a carreira do pai.
Trajetória
Caçula de quatro irmãos e filho de pais que eram primos em 1º grau, a influência artística começou dentro de casa com a mãe e tia com o dom do canto, tio violinista e um quintal inteiro aguçando sua sensibilidade. Vitrolas e fitas cassetes também estavam presentes na vida em família e, além da Bossa Nova, os dias eram embalados por vozes como as de Chico Buarque, Elis Regina e Caetano Veloso.
Joca Freire começou a tocar violão aos 13 anos, mas até os 20 tinha a música como um hobby. Foi aí que as oportunidades começaram a aparecer e - o ex-bancário e ex-estudante de Economia - venceu a timidez e assumiu sua vocação.
Em 1988, compôs sua primeira canção (sem letra) e em 1992 passou a musicar poemas. Tempos depois estreava seu primeiro show, com música e letras autorais. Foi professor de violão e aluno bolsista do Clam (Centro Livre de Aprendizagem Musical), na capital paulista.
Sua história como músico, cantor, compositor reúne agora dez álbuns lançados. Além de "Imagens Sutis", estão por exemplo:
“Meu amigo João”, pré-selecionado no 25º Prêmio da Música Popular Brasileira, em 2014.
“Vida Que Segue", álbum autoral composto por 12 músicas inéditas, das quais 11 foram compostas por Joca Freire.
“A Flauta Que Me Roubaram", com poemas de Cassiano Ricardo (poeta joseense), escolhidos e musicados por Joca Freire. Este mesmo álbum teve a participação de Juliana Caymmi, filha de Danilo Caymmi e Ana Terra, e neta de Dorival Caymmi.
“Ao conhecer `Dori´ pessoalmente, fiquei impregnado com sua música e compus ´Todas as Manhãs´, que teve como autora da letra, sua sobrinha Juliana Caymmi”.
Quem ficou curioso para conhecer as composições e o talento Joca Freire pode conferir nas plataformas digitais. Mas deixo aqui um convite para este momento: que tal curtir o vídeo com a música título “Imagens Sutis” na íntegra? Aprecie sem moderação!
Últimas postagens
Mergulhe em nossas postagens mais recentes abaixo e embarque em um caminho de histórias incríveis de crescimento contínuo, autodescoberta e muito mais.